jueves, 20 de mayo de 2010

Elis Regina

É pau é pedra
É o fim do caminho
É o resto do toco
É o pouco sozinho
É um caco de vidro
É a vida, é o sol
É a noite é a morte
É o laço é o anzol
É peroba do campo
É o nó na madeira
Caingá, candeia
É matita pereira
É madeira de vento
Tombo da ribanceira
É o mistério profundo
É o queira não queira
É um vento ventando
É o fim da ladeira
É a viga é o vão
Festa da cumeeira
É a chuva chovendo
A conversa ribeira
Das águas de março
É o fim da canseira
É o pé é o chão
É a marcha estradeira
Passarinho na mão
Pedra de atiradeira
Uma ave no céu
Uma ave no chão
É um regato, é uma fonte
É um pedaço de pão
É o fundo do poço
É o fim do caminho
no rosto desgosto
É um pouco sozinho
É um estrepe é um prego
É uma ponte um ponto
É um pingo pingando
É uma conta, um canto
É um peixe, um gesto
É uma prata brilhando
É a luz da manhã
É o tijolo chegando
É a lenha, é o dia
É o fim da picada
É a garrafa de cana
Estilhaço na estrada
É o projeto da casa
É o corpo na cama
É o carro enguiçado
É a lama, é a lama
É um passo, uma ponte
É um sapo é uma rã
É um resto de mato
na luz da manhã
São as águas de março
fechando o verão
É promessa de vida
no teu coração
É uma cobra, um pau
É João, é José
É um espinho na mão
É um corte no pé
É um passo uma ponte
É um sapo é uma rã
É um belo horizonte
É uma febre terçã
São as águas de março
fechando o verão
É a promessa de vida

viernes, 14 de mayo de 2010

Nuestra filosofía, esto es, nuestro modo de comprender o de no comprender el mundo y la vida, brota de nuestro sentimiento respecto a la vida misma. Y esta, como todo lo afectivo, tiene raíces subconscientes, inconscientes tal vez.
No suelen ser nuestras ideas las que nos hacen optimistas o pesimistas, sino que es nuestro optimismo o nuestro pesimismo, de origen filosófico o patológico quizá, tanto el uno como el otro, el que hace nuestras ideas.
El hombre, dicen, es un animal racional. No sé por qué no se haya dicho que es un animal afectivo o
sentimental. Y acaso lo que de los demás animales le diferencia sea más el sentimiento que no la razón. Más veces he visto razonar a un gato que no reír o llorar. Acaso llore o ría por dentro, pero por dentro acaso también el cangrejo resuelva ecuaciones de segundo grado.